Wrinkles with good eyes
The originality of André Gardenberg's project starts with it title, which announces its itention of undermining the code of fashion and of the beauty industry thar considers wrinkles to be ruins or remnants of life to be exterminated, hidden or transformed. In fact, the photographer works as an architect and not as archeologist. Hew is intersted in everything that has been conserved by time, and not buried by it. He is intersted in the life and expression contained in each groove, furrow, crease or line on someone's skin.
"They are full of beauty, wisdom, exprerience and even sensuality", he says. And his pictures prove that. To André wrinkles are never nostalgic simbols of time lost or what is used to be, or what existed on those faces. Instead of being a balance of loss and damage, it is an inventory of gains. Pay attention to the vivacity and humor that appear on the faces of these people who posed for his lenses. Instead of drama and melancholy, they convey an amused air of irony and self-mockery. They show, with the pride of those who do not take their own wrinkles seriously and the commerce of surgeries, chemical artifices and injections make fortunes out of trying to disguise or hide.
Even the picture of the Hungarian old woman, the most dramatic of them, all whose face does not have any smoothness, the whole surface has been overtaken by wrinkles, even there, the energy coming or of the woman's gaze does not imply any idea of end or decadence in the mind of the observer. As a matter of fact, by mixing characters of various ages, men and women, some of them young, some older, the photographer goes by time on our faces. Would anyone be able to imagine Ferreira Gullar without his wrinkles? And who would trade the face of Fernanda Montenegro, sculpted by time, for a phony shinning, stretched and cold face that looks like a wax doll?
André Gardenberg goes against the grain of the obsessive narcissism of present time, which has been classified by the psychiatrist Jurandir Freire da Costa as a "post-modern civilization ailment" a sort of anguish of our time, an existential emptiness caused by the never-ending and desperate search for a "better" appearance, trying to make the fabricated beauty and ideal happiness. The results is, most often, frustration.
"Our society takes a dim view on wrinkles" says the photographer, who registers them with a attentive look of understanding. With these creases and life marks, considered by fashion as an esthetic imperfection and proved by the photographer to be noble material, André has constructed a perfect work of architecture.
Zuenir Ventura
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Rugas com bons olhos/
A originalidade desse projeto de André Gardenberg começa pelo título, que já
anuncia sua intenção de subverter o código da moda e da indústria de beleza,
que tratam as rugas como ruínas ou restos de vida que devem ser extirpados,
escondidos ou transformados. De fato, é como arquiteto e não como arqueólogo
que o fotógrafo vai trabalhar. O que lhe interessa é o que o tempo
conservou, não o que enterrou; é o que há de vida e expressão em cada sulco,
vinco, prega ou dobra de pele.
"Elas estão carregadas de beleza, sabedoria, vivência e até sensualidade",
ele diz e suas fotos comprovam. As rugas para André nunca são signos
nostálgicos do tempo perdido - do que foi, do que outrora existiu ali
naqueles rostos. Ao contrário de ser um balanço de perdas e danos, é um
inventário de ganhos... Reparem na vivacidade e no humor que aparecem na
fisionomia desses personagens que posaram para suas lentes. Em lugar de
drama e melancolia, um divertido ar de ironia e auto-gozação. Exibem, com a
soberba de que não levam suas rugas a sério, o que a indústria e o comércio
de cirurgias, artifícios químicos e injeções faturam fortunas para tentar
disfarçar ou esconder.
Mesmo na foto da Húngara, a mais dramática de todas e em cujo rosto não há
sequer um caminho ou passagem lisa, toda a superfície foi tomada pelas
rugas, mesmo aí, a energia do olhar da mulher não deixa que surja no
observador qualquer idéia de fim ou decadência. Aliás, ao misturar
personagens de várias idades, mulheres e homens, alguns jovens, outros mais
velhos, o fotógrafo contraria aquela associação obrigatória que a retórica
publicitária criou entre rugas e velhice, rugas e morte. Ele retira a carga
depreciativa dessas inscrições que o tempo faz em nossos rostos. Alguém
poderia imaginar Ferreira Gullar algum dia sem rugas? E quem trocaria os
rostos esculpidos pelo tempo de Fernanda Montenegro ou Bethânia por uma cara
brilhante, esticada e fria que nem uma construção de cera?
André Gardenberg vai fundo na contramão do obsessivo narcisismo dos tempos
atuais, esse que o psicanalista Jurandir Freire Costa diagnosticou como um
"mal-estar da civilização pós-moderna" _ espécie de angústia do nosso tempo,
um vazio existencial em conseqüência da busca incessante e desesperada de
"melhorar" a aparência, de fazer da beleza fabricada um ideal de felicidade.
O resultado quase sempre é a frustração.
"Nossa sociedade não vê as rugas com bons olhos", diz o fotógrafo, que faz
exatamente o contrário: não só as vê com muito bons olhos, como as registra
com um atento olhar de compreensão. Com esses vincos e marcas da vida que a
moda considera imperfeição estética e que ele mostrou ser material nobre,
André edificou uma obra de arquitetura perfeita.
Zuenir Ventura
Obs: texto de abertura do livro 'Arquitetura do Tempo'.






oô, adoro ela^^
legal seu D.A
até^^
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